Crítica | "Elize: Sombras de uma mulher" tem uma boa história nas mãos mas parece não saber muito bem como trabalhar isso.

Eu queria ter gostado mais desse filme justamente por ser um caso muito famoso e que divide muitas opiniões, mas infelizmente...

Por Juliano Santos

Com um roteiro assinado por Raphael Montes, que dispensa muitas apresentações, e Mariana Torres, que escreveu Maysa, e com direção de Felipe Vellas (de alguns filmes por aí), Elize: Sombras de uma mulher conta a história do caso que chocou o país em 2012. Não entrarei em detalhes sobre o caso, mas o filme consegue, pelo menos um pouco, contar sobre o que aconteceu.

Elize, interpretada brilhantemente pela Lorena Comparato, se casa com Marcos e, a partir daí, vários problemas no relacionamento começam a surgir. Marcos trai Elize e ela, com medo de ser abandonada e perder a filha, em um momento de discussão, o mata.

O filme até tenta ser neutro e contar a história sem parecer estar de um lado, mas falha miseravelmente em trazer, ou pelo menos tentar, um drama na vida da Elize. Com um roteiro até que bem escrito em alguns momentos, ele consegue fazer com que a gente sinta a dor da Elize, mas eu sinto que eles não sabem muito bem como desenvolver direito a narrativa e faz com que fiquemos indo e voltando para o passado.

A direção é o que mais me afastou um pouco do filme. Não estava esperando uma direção revolucionária, mas também não esperava uma direção que não se testasse em nenhum momento.

A escrita do filme, embora eu tenha falado que é bem escrito e aqui entra o meu principal problema com o roteiro que não deixa de ser simplista e com diálogos que não são tão bons. Algumas coisas não têm uma construção tão bem feita e acabam parecendo explosões do nada.

 Até a parte do assassinato, que deveria ser o clímax do filme, não causa um grande impacto que nos faça sentir alívio pela Elize, ou revolta, ou coisa alguma. Durante todo o filme, o meu sentimento foi completamente nulo.

Talvez se o filme tivesse mais algumas horas para ter um desenvolvimento melhor da história e da relação conturbada e até doentia dos dois, talvez eu pudesse entender melhor e, no final, sentir alguma coisa.

Vale ressaltar que minha opinião se dá ao filme como uma obra que quer retratar algo que aconteceu. E ainda mais se tratando de um caso chocante que divide opiniões até hoje, ele tem o dever de me fazer sentir algo, e uma das coisas que um filme não pode, de jeito nenhum, é fazer com que quem esteja assistindo não sinta nada. E foi isso que eu senti vendo esse filme: nada.

Juliano Santos

Estudante de Jornalismo e entusiasta da cultura pop desde a infância. Criou o Zona Quadrada como um refúgio para suas críticas de cinema, mas logo expandiu o horizonte para abraçar a pluralidade do audiovisual.

Postagem Anterior Próxima Postagem