Com protagonismo no Palco Mundo, o K-pop cria momentos que serão lembrados para sempre.
Por Guilherme Campos
| Stray Kids no Rock in Rio (Diego Castanho) |
O Rock in Rio completa o seu aniversário de 41 anos em 2026, mas, na verdade, quem ganhou o verdadeiro presente foram os kpoppers, que puderam acompanhar de perto um pedaço importante da relação entre K-pop e Brasil.
O festival reuniu nomes distintos do gênero para se apresentar, na última sexta-feira (11), naquela que ficou conhecida como a noite do K-pop. E se engana quem pensa que foram apenas “apresentações de nicho”, pois ao fim da noite, aproximadamente 100 mil pessoas se reuniram em frente ao Palco Mundo.
Para os fãs, existia um objetivo muito importante: ocupar espaço em um dos maiores festivais do mundo e mostrar que o público brasileiro não deve ser mais tratado como um mercado distante pela indústria coreana.
NEXZ é o primeiro grupo a se apresentar
no Palco Mundo (Leo Franco / AgnNews)
O som jovem e divertido do grupo rookie NEXZ.
Os responsáveis pela abertura do Palco Mundo foi NEXZ, que apesar do pouco tempo de carreira, dois anos, apresentaram com animação as músicas dançantes de seu repertório.
Com muita energia, palavras em português e interações com o público, os jovens idols não se intimidaram diante da multidão que se formava. Pelo contrário, aproveitaram cada momento e provaram que, apesar de serem um grupo relativamente novo, já estavam prontos para estrelar no palco principal do festival.
Tomoya, Yu, Haru, So Geon, Seita, Hyui e Yuki cantaram seus maiores sucessos, entre eles NEXZ generation, Beat-Boxer e Mmchk. Além disso, o NEXZ embalou o público com o seu sucesso mais recente, Saucin’, que tocou três vezes durante o show.
| Hwasa encanta o público no Rock in Rio (Leo Franco / AgnNews) |
O carisma encantador da rainha do K-pop, Hwasa.
Hwasa, também integrante do grupo Mamamoo, se apresentou em solo brasileiro pela segunda vez dez anos após sua última apresentação. Em seu show solo, Hwasa entregou dança, vocais e muito carisma, um ponto que é sempre destaque nos shows da cantora..
A artista andou no meio do público e interagiu com os fãs e, em dado momento, até recebeu uma flor que perdurou no cabelo. Hwasa estava radiante no palco, e até comentou sobre a sua opção de usar tênis ao invés das botas escolhidas para o show. Segundo a cantora, o calçado daria mais liberdade para dançar e se divertir com a galera.
Cantando os seus sucessos solo, como Maria, Twit e I love my body, Hwasa também trouxe canções do Mamamoo. Décalcomanie, Hip, Dingga, Starry Night e Egoistic agitaram os MooMoo, fandom do grupo. Para finalizar o show, Hwasa cantou Good Goodbye, seu maior hit do ano, que vem ganhando destaque nas principais premiações asiáticas.
Correndo abraçada à bandeira do Brasil, Hwasa agradeceu por todo o amor recebido do público antes de, infelizmente, dizer Good Goodbye.
| Alok também foi atração no dia do K-pop (Eduardo Anizelli / Folhapress) |
Alok apresentou colaboração especial com um grupo de K-pop
Se enganou quem achou que a única apresentação não coreana do Palco Mundo não traria os sons do K-pop.
Alok surpreendeu ao incluir um mashup de Gnarly, do Katseye, e Jump, do Blackpink. Não satisfeito, o DJ também apresentou uma colaboração inédita com um girlgroup ainda misterioso.
Apesar de os fãs já especularem sobre a possível colaboração pelas vozes presentes na faixa, a confirmação oficial ainda não foi anunciada. TWICE? IVE? Aespa? As apostas estão abertas.
Stray Kids, o primeiro ato-sul coreano a
ser headliner do Rock in Rio – Reprodução: Globoplay
Mais um show impecável de Stray Kids
Depois da Dominate Tour, que passou por Rio de Janeiro e São Paulo, somando três shows, os Stays clamavam pela volta do Stray Kids. O retorno foi muito mais rápido do que esperavam, pois, apenas um ano depois, o grupo se tornou o primeiro ato sul-coreano a ser headliner não só do Rock in Rio, mas também de um festival brasileiro.
Com esse peso em mãos, Stray Kids não decepcionou. Passando ao lado do público para subir ao palco, o grupo abriu o show com Topline. O repertório passou por outros sucessos, como Lalalala, Walking on Water, Divine e Miroh, transitando entre diferentes eras da carreira do grupo.
Stray Kids tem uma base consolidada no Brasil e foi possível perceber isso pelo coro de vozes presente em simplesmente todas as performances. O interesse dos idols pela cultura brasileira também é visível, visto que desde a primeira passagem na tour, os idols já aprenderam muitas palavras em português e chegaram a dançar funk e samba em cima do palco.
Com um show cheio de coreografias, remixes e interações com o público, BangChan Changbin, Felix, I.N, Lee Know, Seungmin, Han e Hyunjin encantaram novamente os Stays. Para finalizar, fizeram o famoso “chorinho”, momento em que o grupo finge ir embora, mas retorna de surpresa para cantar novas músicas.
E, atendendo aos pedidos dos fãs, a última música foi Hall Fame, do álbum 5-Star. A faixa traz uma mensagem sobre a ambição do grupo de marcar seus nomes entre as grandes figuras da história, algo que eles já conseguiram ao se apresentarem no Rock in Rio.
![]() |
| Reprodução Instagram / Coronarockbr |
Embora o dia tenha sido marcado por diversão, ambiente familiar e muita música boa, seria um erro não comentar sobre os problemas de segurança que ocorreram durante as apresentações no Palco Mundo.
A corrida por um lugar na grade rendeu apertos, empurrões e muitas pessoas que precisaram ser resgatadas pela equipe médica. Em certo momento, um aviso para que o público desse um passo para trás apareceu no telão, com o risco de os shows sofrerem atrasos caso o pedido não fosse atendido.
Infelizmente, situações como essas podem acabar com uma experiência que deveria ser inesquecível. Por isso, é muito importante respeitar não só os prórpios limites e espaços, como também os das pessoas ao redor. Alimentar-se bem, ter boas horas de sono e beber muita água são cuidados importantes, visto que os shows tem grandes intervalos entre si nos festivais.
O próprio BangChan, líder do Stray Kids, alertou os fãs sobre os cuidados com a saúde enquanto ainda estava no palco, reforçando a importância do consumo de água e chamando atenção para os perigos de sufocamento provocados pelo aperto na grade.
Lembrem-se de que o comportamento durante os festivais é uma peça-chave do retorno ou não de um gênero nas próximas edições. É preciso respeitar e fazer bonito, mostrando a força do enorme público do K-pop e o tamanho do barulho que os kpoppers podem fazer. Ness quesito, a nota com certeza foi 10.
