Repleto de nostalgia, a nova aposta da Netflix, produzida pela Paramount, aposta em um elenco jovem e talentoso, além de algumas carinhas já conhecidas pelo público.
Treze anos após o fim de Brilhante Victória, a série ganha outro respiro. Nesta quinta-feira (15), estrearam os primeiros doze episódios de Hollywood Arts, que apresenta um novo elenco para a querida escola de artes. Apesar das adições, temos como protagonista uma figura familiar para os fãs: a irritante Trina (Daniella Monet).
Na trama, ainda vivendo sob os holofotes de Tori (Victoria Justice), Trina retorna para Hollywood Arts como uma atriz fracassada para assumir o posto de professora substituta de teatro. O problema é que ela não tem nenhuma qualificação para o cargo e precisa provar, na prática, que consegue dar conta do recado. Com a ajuda dos alunos, Trina descobre que, na verdade, tem vocação para o ensino, mesmo que não recorra às táticas mais adequadas.
Além de Daniella Monet, o Sr. Sakowitz (Eric Lange), Diretora Helen (Yvette Nicole Brown), Robbie (Matt Bennet) e seu boneco de ventríloquo, Rex, também fazem participações especiais ao longo dos episódios.
Depois de graves polêmicas envolvendo a Nickelodeon e os casos de denúncias relacionados aos bastidores de suas produções infantis, as séries estavam fadadas ao esquecimento. Com a expansão do streaming, personagens e histórias que marcaram uma geração voltaram a ter espaço. O clássico Icarly ganhou três temporadas, e está prestes a receber um filme para a conclusão, enquanto Zoey 101 e The Thundermans também receberam filmes derivados de suas séries originais. Era questão de tempo para que Brilhante Victória tivesse o seu revival.
Apesar da ausência de Victoria Justice representar, superficialmente, um problema, basta o fim do episódio piloto para que a impressão se dissipe. Se a ideia era fazer uma continuação direta, não havia personagem melhor do que Trina para assumir o papel principal. A irmã mimada de uma estrela do pop, antes uma adolescente insuportável, agora encontra redenção ao ajudar jovens a construir suas carreiras, evitando que cometam os mesmos erros que ela. Ótimo!
Daniella Monet recupera o carisma de sua personagem, com um toque de maturidade. Trina continua com sua personalidade super confiante, mesmo que lhe falte talento, mas agora tem os pés mais firmes na realidade e questiona constantemente se suas ações são realmente adequadas. O caráter episódico da série, com tramas individuais que se encerram a cada capítulo, dificulta o desenvolvimento gradual de Trina. Ainda assim, as mensagens são bem colocadas e contribuem para um fim digno a ela durante a jornada.
O elenco de apoio pode representar, ou não, um problema para o telespectador que acompanhou a série original. Apesar da renovação, os novos personagens reproduzem os mesmos estereótipos de seus antecessores. A garota talentosa que demora a acreditar em seu próprio potencial; a que vive falando frases sem sentido; a explosiva que sempre está pronta para uma briga; o bonitão de cabelo longo e o cantor mulherengo que sabe tocar piano.
Um destaque especial para Pepper (Emmy Liu-Wang) e Jen Z (Erika Swayze), a dupla mais divertida da série. A rivalidade entre as duas por causa de Oscar (Martin Kamm) é constantemente colocada em jogo, mas ambas demonstram ser grandes amigas, apoiando uma à outra quando necessário. Os papéis de Emmy e Erika seguem uma proposta semelhante à de Jade (Elisabeth Gillies) e Cat Valentine (Ariana Grande) em Brilhante Victória, mas a nova dupla tem personalidade o bastante para escapar das comparações.
Hollywood Arts resgata muita nostalgia com cenários idênticos aos da série original, mas, em alguns momentos, peca justamente nesse aspecto. A adição do TheSlap, uma plataforma de vídeos curtos usada pelos alunos da escola de artes e que serve de transição para muitas cenas, é brega. A intenção era modernizar o TheSlap de Brilhante Victória, que consistia em uma rede social na qual Tori fazia comentários bem-humorados e apresentava o seu humor do dia. No entanto, a mudança deixa tudo meio constrangedor.
Por outro lado, o spin-off acerta em trazer referências claras à trama de Brilhante Victória, muitas vezes recorrendo a flashbacks. No quinto episódio, intitulado O armário mágico de Tori, faz uma referência direta ao décimo nono episódio da primeira temporada da série original, intitulado Uma noite na casa de Sikowitz. Em ambos, os alunos precisam interpretar estereótipos bastante específicos em um teste de atuação que vale um grande prêmio.
A série explora os talentos de seu elenco mais do que a antecessora. Para isso, músicas autorais foram criadas para integrar os episódios, e preciso dizer que as composições são ótimas. As mensagens são certeiras para o público a qual é destinada, abordando temas como autoaceitação, amizade e amor pela arte.
Portanto, Hollywood Arts tem um elenco talentoso, muitos momentos divertidos e uma dose gostosa de nostalgia. É uma ótima produção para assistir em família e um recomeço empolgante para as novas gerações. A redenção de Trina é o fio condutor da série, e é interessante acompanhar como a personagem considerada uma anti-heroína pode se tornar tão especial.
Os demais episódios da primeira temporada ainda não têm data de lançamento divulgada.


