Crítica | Petal: Ariana retorna com seu novo álbum de estúdio em um de seus trabalhos mais livres.

Ariana poderia apenas dizer “Eu estou com raiva”, mas preferiu lançar um álbum de 36 minutos para provar isso. O pior ( ou melhor ) é que ela conseguiu, e funcionou perfeitamente.

Por Juliano Santos



Ariana lançou nesta sexta-feira (31) seu mais novo álbum de estúdio, Petal. Com 12 faixas inéditas, o projeto escancara a fase atual da cantora a partir de um lugar de pura liberdade e desabafo sobre cobranças e vida pessoal. É nítida a autonomia artística que ela exerce nesse novo trabalho — e já adianto: o resultado agrada bastante.

Como de costume em sua discografia, Ariana usa a própria vivência como matéria-prima. Aqui não foi diferente: o álbum está repleto de ironias sobre o peso de viver sob os holofotes, onde ela costuma virar assunto por conta de polêmicas e raramente pelo seu trabalho. Indireta para as críticas da época de Wicked, talvez? Ou sobre seus relacionamentos que, vira e mexe, viram manchete? O fato é que ela está visivelmente farta de tudo isso.

Porém, ela sabe que toda essa exposição traz consequências e, inevitavelmente, inspiração. Como a própria canta na faixa-título Petal: “Dizem que o artista precisa de lágrimas para escrever”. E a fórmula funciona.

Petal é coproduzido e escrito em parceria com Ilya Salmanzadeh, parceiro de longa data que colabora com Ariana há mais de dez anos. Essa sintonia resultou em faixas espetaculares, como Freak  que, já adianto, é a  minha favorita.


Aqui, vemos uma Ariana mais segura de si e relaxada. Ela não parece mais presa ou com medo da mídia, postura que marcou a era Eternal Sunshine, momento em que a cantora preferiu se esquivar de entrevistas e dos flashes das câmeras.

O álbum demonstra amadurecimento e mostra que, apesar de tudo, ela sempre sai por cima. Ariana garante que fará com que aqueles que a machucaram se lembrem dela — se não pela imagem, pela voz ecoando do rádio de um táxi qualquer que passa na rua.

Ver essa espontaneidade e liberdade no processo criativo da artista é gratificante. Contudo, como nem tudo são flores, Bad Things (bunny hop) soa como a faixa mais sem graça e destoante do disco. A letra beira o bobinho,  talvez de propósito, afinal, a vulnerabilidade de estar apaixonado traz essa ingenuidade.

E em alguns momentos soa meio irônico o quanto ela olha para nós e parece dizer: Olha como eu posso escrever qualquer coisa e ainda assim vocês irão aplaudir. E de certa forma, iremos mesmo, mas em determinado momento fica um pouco repetitivo.

Ainda assim, Petal se consolida como um dos trabalhos da carreira de Ariana Grande. É um retorno triunfal após a tempestade de críticas e polêmicas que cercaram sua fase em Wicked e Eternal Sunshine, período em que a artista acabou se voltando mais para a atuação do que para a música.

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