Crítica | Dez anos de La La Land, o filme continua sendo perfeito?

Em 2016, La La Land chegou aos cinemas como uma homenagem aos grandes musicais de Hollywood, mas rapidamente se tornou mais do que isso. 

Por Gabriel Nunes


Dez anos depois, o filme continua sendo lembrado por suas músicas e em alguns momentos, até pela polêmica no Oscar, mas por uma direção que ainda parece tão segura quanto parecia na época de seu lançamento.

Grande parte disso está em Emma Stone. Mia continua sendo, até hoje, um dos melhores trabalhos da atriz. Ela consegue interpretar uma personagem que sonha com o sucesso sem transformar esse sonho em algo idealizado. A insegurança, a frustração e a ambição aparecem de forma muito natural, principalmente nos momentos em que o filme deixa de lado o espetáculo para acompanhar apenas a personagem.

É justamente nesses momentos que Emma Stone mostra por que sua atuação continua sendo um dos grandes destaques de La La Land. Em cenas como a audição, não é necessário nenhum grande recurso visual para entender o que Mia está sentindo. O filme confia na atriz e deixa que a cena exista através de sua interpretação.

Ryan Gosling e Emma Stone/ Divulgação 

Essa confiança também aparece na forma como Damien Chazelle constrói visualmente o filme. O uso das cores é um dos elementos mais marcantes de La La Land, mas nunca parece estar ali apenas para deixar a imagem bonita. Os figurinos contrastam com os cenários de forma planejada, fazendo com que os personagens naturalmente se destaquem dentro do quadro.

O mesmo acontece com a iluminação, muitas cenas possuem uma construção claramente teatral, com luzes direcionadas e cenários que parecem pensados para valorizar quem está no centro da tela. Isso poderia facilmente parecer artificial, mas o filme entende exatamente quando exagerar. Tudo trabalha para conduzir o olhar do espectador para o que realmente importa naquela cena.

Talvez seja por isso que sua fotografia tenha envelhecido tão bem. Dez anos depois, La La Land ainda parece visualmente atual porque não depende apenas de tendências estéticas. As cores continuam funcionando, a iluminação continua valorizando os personagens e os enquadramentos continuam sendo parte essencial da narrativa.

E então existe o final, depois de quase duas horas acompanhando Mia e Sebastian, o filme poderia escolher o caminho mais simples e entregar o final que o público espera, mas não entrega. La La Land entende que duas pessoas podem se amar e, ainda assim, não terminarem juntas.

O final é agridoce justamente porque não existe uma grande tragédia, Mia e Sebastian conquistaram aquilo que desejavam. Eles seguiram em frente, construíram as vidas que queriam, mas, para que isso acontecesse, precisaram abrir mão da vida que poderiam ter tido juntos.

Imagem: Divulgação

Dez anos depois, talvez seja essa a parte de La La Land que continua mais difícil de esquecer. O filme fala sobre sonhos, carreira e amor, mas se recusa a dizer que todas essas coisas precisam terminar da forma que imaginamos.

No fim, La La Land continua funcionando porque não depende apenas da nostalgia pelos musicais antigos ou de uma estética bonita. É um filme sobre pessoas tentando descobrir o que querem para a própria vida e percebendo que algumas escolhas podem trazer felicidade e tristeza ao mesmo tempo.

Isso faz com que, mesmo depois de dez anos, o último olhar entre Mia e Sebastian ainda seja muito difícil de esquecer.


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