No último final de semana, dias 29 e 30 de agosto, o Great Park em Irvine, Califórnia, foi palco do Daisy Chain Fields, primeiro festival beneficente idealizado e produzido por Olivia Rodrigo.
Por Matheus Silva
| Olivia Rodrigo como atração principal no Daisy Chain Fields |
Olivia Rodrigo, cantora e compositora estadunidense, criou seu primeiro festival pop beneficente trazendo atrações femininas e grandes nomes da música como Chappell Roan, Doechii, Mitski, entre outras. Em coletiva de imprensa, a cantora anunciou que o evento doaria mais de US$ 20 milhões para organizações parceiras sem fins lucrativos, como Planned Parenthood, Black Mamas Matter Alliance, Center for Reproductive Rights e National Women’s Law Center. Uma contribuição expressiva para apoiar mulheres e meninas em todos os Estados Unidos.
O festival ocorreu no último final de semana, nos dias 29 e 30 de agosto, no Great Park, em Irvine, Califórnia. O evento aconteceu durante o dia, dividido em duas etapas e com uma programação sem sobreposição de shows.
Olivia Rodrigo afirmou que o festival foi inspirado no Lilith Fair, evento feminino criado por Sarah McLachlan nos anos 1990 para combater o sexismo na indústria da música. O Lilith Fair reuniu multidões entre 1997 e 1999, com apresentações de nomes como Sheryl Crow, Paula Cole, Jewel, Erykah Badu, Natalie Merchant, Indigo Girls e Emmylou Harris, gerando um impacto cultural significativo, promovendo a visibilidade feminina e inspirando novas gerações de artistas.
No dia 24 de agosto, Olivia lançou nas plataformas de streaming seu novo single, “Serena Joy”, faixa que aborda os direitos das mulheres e critica a opressão de quem apoia sistemas autoritários e machistas. A música foi inspirada no romance O Conto da Aia, escrito por Margaret Atwood e publicado em 1985.
Serena Joy é baseada em uma personagem da trama: esposa do Comandante Fred Waterford, ela era, antes do golpe, apresentadora de TV e defensora dos valores tradicionalistas que ajudaram a construir o regime teocrático e totalitário que toma o poder nos Estados Unidos na história. Na obra, mesmo tendo ajudado a erguer esse sistema, Serena acaba presa nele e perde boa parte de seus próprios direitos e liberdades — um sistema que não beneficia as mulheres, nem mesmo as que ajudaram a sustentá-lo.
Embora não tenha sido escrita exclusivamente para o evento, a música se encaixa na proposta do Daisy Chain Fields, mostrando a influência de Olivia no pop voltada para causas sociais pró-mulheres.
| Olivia Rodrigo - Olivia Parker / Divulgação Hulu |
Do palco à transformação social
O festival representa o resultado de uma trajetória de ativismo iniciada em 2022, quando Olivia se posicionou contra a derrubada de Roe v. Wade. Desde então, a cantora ampliou sua atuação com iniciativas como o Fund 4 Good, lançado em 2024, e o prêmio Catalyst of Change, recebido da Planned Parenthood em 2025. Essa continuidade fortalece a autenticidade de seu posicionamento e contribui para sua identificação com a Geração Z, público que valoriza o engajamento consistente em causas sociais.
Aos 23 anos, Olivia combina sua produção artística com a defesa dos direitos das mulheres. Suas músicas abordam experiências e questões próximas do público jovem, enquanto sua atuação fora dos palcos amplia o alcance dessas pautas. Como produtora de um festival beneficente, a cantora reforça o papel dos artistas como agentes capazes de mobilizar pessoas e dar visibilidade a pautas sociais relevantes. Mais do que uma artista em ascensão, Olivia se consolida como uma voz ativa na defesa dos direitos das mulheres, unindo música, ativismo e impacto social.