O outro lado da moeda é que o disco arrisca bem menos. A produção está mais polida e mais limpa, com um brilho de pop moderno. O problema é que essa Rachel mais arrumada não arrisca com a própria voz. Num álbum que pedia mais explosão, ela segura o vocal quase sempre no mesmo lugar, confortável, leve, previsível, quando a estreia mostrava mais coragem. Não estraga nada, mas deixa aquela sensação de que o disco poderia ter subido um degrau.
E é justamente quando ela se arrisca que o álbum brilha. “Broken Chair” é, sem muita dúvida, o grande destaque do disco. A faixa une tudo o que o álbum tem de melhor, uma Rachel defensiva, autodepreciativa e vulnerável ao mesmo tempo, e ainda assim com uma batida que não deixa ninguém parado. Outras músicas, como “Pretty Girls” e “One Song Away From Crying”, também seguram a onda, mas nenhuma entrega tão bem o equilíbrio entre a dor da letra e a vontade de dançar.
I Think I Spoke Too Soon não reinventa a Rachel e também não decepciona. É um disco competente, dançante e bem produzido, que prova que ela sabe fazer pop sofrido como poucas, mas que ainda deve a si mesma um trabalho que arrisque de verdade.
