Tinashe mostra mais do que nunca que não tem medo de arriscar.
Por Gabriel Nunes
| Tinashe em capa do álbum "popstar" / Foto: Divulgação |
A cantora abre o álbum com "Sunglasses" e já deixa claro, logo de cara, que não tem medo nenhum de brincar e experimentar.
É uma abertura divina, com produção da Arca, que avisa pro ouvinte que esse não vai ser um disco de popstar que não está disposto a sair do conforto.
O conceito do álbum também ajuda a sustentar essa primeira impressão.
Popstar é, no fundo, uma reflexão sobre o próprio estrelato, sobre o que significa ser relevante hoje em dia e sobre o medo real de desaparecer.
Isso fica evidente em faixas como "Empty Stadiums", onde ela canta sobre algo que boa parte dos artistas de sucesso teme, virar passado, ser esquecida, nunca se sentir suficiente pra ninguém.
É um tema que poderia soar fútil na mão de outra artista, mas que aqui ganha peso justamente porque vem de alguém que já viveu os dois lados dessa indústria, o estouro e o período mais afastado.
O que mais impressiona ao longo do álbum é a potência vocal dela.
Tinashe não faz falsetes e nem notas impossíveis pra provar que canta bem, a força está em outro lugar, numa voz que sustenta até os momentos mais intensos da produção sem nunca parecer insegura ou exagerada. Acredito que o maior mérito de Popstar seja equilibrar experimentação comacessibilidade.

Foto: John Nacion/Getty Images
O disco transita por R&B, dance-pop e eletrônico sem nunca parecer deslocado, e vai costurando referências de diferentes fases da própria carreira dela sem soar nostálgico, ela entende o que funcionou em cada era e usa isso como matéria-prima pra uma declaração maior.
"Melatonin" é o ponto mais alto desse disco, uma mistura suja de electroclash com dance-pop que funciona tanto pra quem quer analisar quanto pra quem só quer dançar. Já "Flashbacks" vai pro lado mais estranho e abstrato do disco, com vocais cortados que lembram as texturas da Arca.
Não vejo como negar, esse é o melhor álbum da carreira dela até aqui.
Depois de anos sendo tratada como aquela artista "subestimada" que vive aparecendo em listas de "quem merecia mais sucesso", Tinashe entrega um disco que não deixa espaço pra esse tipo de desculpa esfarrapada.
A resposta pra quem ainda duvidava já está aí, não só nos streamings, mas também nas maiores notas do ano pela Pitchfork.