O Drama: Muito barulho por coisas que poderiam ser resolvidos numa conversa simples, mas que diverte.




Muito drama por algo que nem precisava ser assim



Por Juliano Santos



Quando soube que Zendaya e Robert Pattinson iriam interpretar um casal no novo filme da A24, fiquei empolgado; quando vi o trailer, então, fiquei mais animado ainda e curioso pelo que viria por aí. Um casal que se conheceu de uma forma muito engraçada e que está às vésperas do casamento quando um casal de amigos propõe um jogo: Qual a pior coisa que vocês já fizeram? O que vemos a partir daí? Uma sucessão de exageros por uma coisa que não chega a ser tão grande assim.


O filme se inicia com uma história de como eles se conheceram através do discurso do Charlie, personagem do Robert. E aqui a gente já entende como a montagem funciona. Com cortes rápidos que ajudam muito nas piadas — que sim, o filme pelo trailer parece mais um suspense/terror psicológico, mas é uma comédia romântica fora do convencional, o que não significa que não funciona.


Emma é uma boa personagem e a Zendaya entrega muito bem tudo o que a protagonista precisa; ela transita bem entre a comédia e o drama e até na psicopatia em certos momentos de desespero do Charlie. A sua personagem possui boas camadas e a gente consegue ver o nervosismo dela em todos os pontos.


Também acho que o Robert entrega bem o seu personagem; ele desconfia até quase o último segundo do filme e isso é muito divertido de acompanhar, rendendo passagens onde a gente também desconfia de tudo o que estava acontecendo.


Mas o destaque mesmo fica para a Alana Haim, que interpreta a Rachel e faz isso muito bem. Consigo odiar a personagem em cada aparição dela, e é maravilhoso o quanto ela entrega todo o seu repúdio à Emma, mesmo ela também tendo feito algo questionável mas é mais fácil incriminar o outro do que ver o seu erro.


Vale pontuar que sim, o que a Emma contou foi errado, mas, como é pontuado no longa, ela não chegou a cometer o que disse que iria fazer, acabou mudando de ideia e lutando contra isso na adolescência. Mas o desfecho de tudo isso se torna tão exagerado que, em determinados trechos, chega a ser irritante.


O filme é longo; eu não tenho problemas com filmes longos e até gosto, mas não adianta ter uma obra extensa se na maior parte do tempo ela fica rodando em círculos, onde os personagens não parecem sair do lugar ou entender o que de fato está acontecendo.


O ponto alto acontece no casamento, onde tudo fica cada vez mais intenso e os envolvidos começam a chegar no seu limite; aí vem uma sucessão de coisas constrangedoras acontecendo que me fizeram rir e fizeram o cinema inteiro gargalhar na minha sessão.


O filme é esteticamente muito lindo. A ambientação, um filme frio, diferente de comédias românticas que são mais solares funciona bem aqui e até ajuda nessa construção.


A montagem, como eu já pontuei, ajuda muito na narrativa: ela melhora as cenas de humor e melhora também as cenas de suspense, até me deixando, por vezes, meio paranoico junto com o Charlie.

O filme é escrito e dirigido pelo Kristoffer Borgli, que fez ‘Doente de Mim Mesma’ e ‘O Homem dos Sonhos’, dois bons filmes. Aqui a gente entende bem o porquê de ‘O Drama’ conseguir trabalhar esses assuntos que são mais pesados de uma forma leve e bem-humorada, que consegue nos fazer pensar.


O Drama é um filme que eu assistiria de novo e acho que posso encontrar novas coisas nele. É uma obra bem construída que cresce mesmo rodando em círculos ocasionalmente, mas isso não tira o brilho dela.

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