Saudade de ver Miranda Priestly, Andy Sachs, Emily e Nigel andando por Nova York ao som de Vogue da Madonna?
Por Juliano Santos
Não preciso falar muito sobre o primeiro filme, pois já sabemos de toda a grandeza desse clássico, mas para falar de sua sequência alguns comparativos serão necessários, já adianto.
O primeiro filme tem uma história interessante e é gostoso de acompanhar, mas tem um defeito: não saber desenvolver personagens; lá, os personagens não parecem mudar muito e têm apenas algumas mudanças significativas para o momento da história. Coisa que nesse filme me agradou muito: o desenvolvimento dos personagens.
Em O Diabo Veste Prada 2, Andy retorna para a grandiosa revista Runway, que nesse momento já não está caminhando bem e beira o colapso com a disputa com a internet. Andy, já com uma carreira consolidada como jornalista, retorna para gerenciar essa crise da Runway e, ao pisar os pés na revista, ela se depara com a Miranda sendo aquele diabo que amamos odiar, mas aqui temos o nosso primeiro problema.
Colocar a Miranda como a carrasca que não lembra quem é a Andy apenas para que tenhamos aquela trocação de farpas entre a Andy e Miranda funciona? Sim, mas não precisava; entendo que é uma maneira da Miranda lidar com o choque de ter a Andy de volta, mas acho que soa meio forçado.
O primeiro filme é grandioso e trabalha bem os figurinos, trazendo o mundo da moda como o foco principal do filme; nesse segundo, os figurinos não têm a grandeza do primeiro, mas abrem espaço para discussões mais interessantes sobre o mercado de trabalho e a adaptação com redes sociais e IA, o que dá espaço para boas piadas sobre o assunto.
Acho esse filme superior ao primeiro no quesito desenvolver personagens e fazer a história andar, mas alguns enredos não são bons de acompanhar, como a história da Emily, que de início parece ser uma coisa legal, mas depois vira uma coisa chata e que lá na frente serve apenas para um plot que faz a gente ficar chocado por dez segundos e depois passa.
O Diabo Veste Prada 2 traz toda uma crítica muito bem feita sobre o jornalismo e de como existe uma disputa e uma dificuldade de se encaixar nas redes sociais, e é interessante comparar isso com o primeiro filme e ver a diferença de como o jornalismo era e como ele é hoje, com todo o sucateamento da profissão, com demissões em massa em várias áreas do jornalismo que o filme retrata, e muito bem.
Esse filme funciona muito bem, não existe uma descaracterização de personagens para se encaixar em alguns padrões atuais; vemos a Miranda em tela, vemos a Andy, Nigel e Emily como se ainda fossem os mesmos de 2006, e isso é um ponto positivo.
A sequência volta a funcionar bem como uma cápsula do tempo, assim como o primeiro, onde vemos a forma como tudo funcionava, todo o glamour, brilho em uma época onde a estética e o excesso gritavam o tempo todo.
Nesse segundo, vemos toda a nossa era atual, um mundo mais acinzentado, sem muito brilho e sem todo aquele glamour, e por mais incômodo que seja, retrata bem a nossa atual realidade.
