EQUILIBRIVM - Anitta (2026)

 



Talvez essa seja um dos melhores trabalhos da Anitta.



Por Juliano Santos


Em seu oitavo álbum de estúdio, intitulado EQUILIBRIVM, Anitta apresenta uma proposta que se distancia do que estamos acostumados a consumir da artista. O projeto traz uma lista extensa e diversa de colaborações: Liniker, Os Garotin, Shakira, Ponto de Equilíbrio, Luedji Luna, Melly, Rincon Sapiência, KING Saints, Ebony, Papatinho, Los Brasileiros, Emanazul e Marina Sena.

A presença de Marina, inclusive, provoca uma comparação imediata com seu álbum Coisas Naturais. Isso se explica pelo fato de que, em ambos os trabalhos, há um resgate nítido de instrumentos acústicos e ritmos brasileiros mais cadenciados. Notamos um distanciamento daquele pop industrial "bate-estaca" em favor de uma sonoridade que exige mais atenção e fôlego do ouvinte.

Os dois discos tentam vender a imagem de artistas que não precisam mais provar nada ao mercado e, por isso, sentem-se livres para experimentar. Enquanto Marina explora a calmaria das "coisas naturais", Anitta busca o centro em seu "equilíbrio" — e talvez este seja um dos maiores acertos da sua carreira até aqui.

Já adianto que o álbum é sólido, com exceção das faixas em espanhol e inglês, que não me cativaram tanto. Até mesmo Choka Choka, com a Shakira, embora seja uma boa composição, não me agrada totalmente; são músicas que eu certamente pularei em audições futuras.

Em termos técnicos, o trabalho apresenta um polimento sonoro impecável e talvez seja um dos melhores momentos de Anitta, tanto na entrega vocal quanto na construção estética. O estilo gráfico, a capa e todas as artes de divulgação estão de parabéns pela coesão.

As participações fazem sentido dentro da proposta e não parecem escolhas aleatórias; elas conversam com a identidade do disco. Fiquei contente em ver artistas que já acompanho envolvidos no projeto. Entre as minhas favoritas, destaco Meia Noite, Desgraça, Deus Existe (com Ponto de Equilíbrio), Caminhador (com Liniker) e Mandinga (com Marina Sena).

É muito interessante notar como Anitta resgata uma brasilidade e uma ancestralidade latentes, trazendo referências a entidades da Umbanda e do Candomblé com profundo respeito. A distribuição das faixas foi muito bem pensada, o que impede que a audição se torne cansativa ou difícil.

Por fim, acredito que este trabalho renderá prêmios merecidos à Anitta. Fico ansioso para ver como ela explorará os desdobramentos visuais e performáticos desta nova era.

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