Backrooms pelo menos para mim é um filme muito rico e que sabe contar uma boa história.
Por Juliano Santos
Há alguns anos atrás tive meu primeiro contato com essa creepypasta e fiquei fascinado e um tanto quanto obcecado por toda a história, é hipnotizante imaginar a existência de um lugar ou um 'Não Lugar' como o sbtítulo aqui no Brasil sugeriu que é um grande labirinto de paredes amarelas, luzes piscantes e criaturas desconhecidas.
Em seguida, tive contato com um curta no Youtube que me chamou muito a atenção e que só anos depois fui descobrir quem era o diretor dele, que no caso é o diretor do novo filme da A24, que sou suspeito para falar pois amo demais a produtora de filmes.
Em Backrooms acompanhamos Clark (Chiwetel Ejiofor), um dono de uma loja de móveis que está quase sendo devorada por traças de tão vazia que é, após ser expulso de casa por sua esposa ele passa a morar nessa loja, ao mesmo tempo em que conversa com sua terapeuta Dra. Mary Kline (Renate Reinsve) sobre esse término. Um dia, Clark descobre a existência de uma passagem em sua parede que o leva direto para as Backrooms, ele então chama sua funcionária Kat (Lukita Maxwell) e Bobb (Finn Bennett), namorado dela, para explorar e filmar o lugar e entender um pouco mais sobre. No entanto, quando Clark desaparece, a Mary resolve ir atrás dele, mas também acaba se perdendo pelo labirinto.
Quem conhece a história e os curtas do Youtube, deve ter ficado com um pé atrás, pois nem sempre adaptações de creepypastas da internet são bem feitas (indireta fortíssima para o Slenderman, que é outro personagem que eu adoro) e assim como eu deve ter ficado bem preocupado.
Mas a forma como foi trabalhado, pelo menos pra mim, funcionou muito bem. O filme tem um início despreocupado e não tem medo de trabalhar um desenvolvimento, é lento e com bons diálogos e boas atuações, o que pode ter atrapalhado algumas pessoas que estavam esperando algo um pouco mais ágil e que trouxesse um pouco mais de terror.
Esse início trabalha bem os dramas dos protagonistas, Clark e os problemas com a bebida e Mary e o seu passado, que eu vou falar melhor sobre isso mais pra frente. Fato é que ele consegue trabalhar bem isso no início do filme, embora eu tenha gostado, não deixo de mencionar que talvez seja o ponto mais fraco dele, pois afasta quem ta tentando entender ainda sobre o que é e acaba se diferenciando muito da outra metade, que toma um ritmo mais frenético.
Logo quando o Clark entra no labirinto amarelo, o Kane Parsons, diretor do longa trabalha muito bem a ambientação, que aqui, mesmo sendo apenas paredes amarelas sem muitos detalhes, é bizarramente lindo de ver, todo o trabalho de produção em fazer um lugar com formatos e entradas diferentes ficou impecável. E a direção não tem pressa, vamos explorando o lugar com calma junto com o Clark e a cada segundo a tensão vai aumentando cada vez a medida que ele vai seguindo mais e mais adiante nesse lugar.
Outro ponto fantástico e feito de uma maneira muito linda é a fotografia desse filme e meu deus, que saudade de um filme com cores saturadas, já estava exausto e cansado de filmes escuros que eu não consigo enxergar o que está acontecendo. As cores desse filme são sensacionais e um absurdo de tão lindas e com ótimos ângulos de câmera e cada frame é uma verdadeira obra de arte.
Após Clark desaparecer dentro do labirinto, Mary vai procurá-lo e aqui o filme muda completamente, ele fica mais frenético e cada vez mais bizarro. Mary, como eu tinha falado anteriormente tem um problema com o passado e ao longo do filme vemos flashes de sua casa sendo demolida, sua mãe enlouquecendo e ficamos com um monte de nós na cebeça tentando entender tudo isso e se isso tem a ver com as Backrooms.
A Renate Reinsve entrega muito em cada cena que ela aparece e eu ficava cada vez mais fascinado por ela, que mulher sensacional que se entrega em tudo o que ela faz.
O filme pra mim funciona muito bem, a direção é competente e não tenta explicar muito sobre o que é esse lugar, inclusive era um dos meus medos eles tentarem explicar o tempo todo sobre a origem de tudo isso. Por fim é muito bom ver como não acabaram com mais uma história, da pra perceber todo o empenho de quem estava por trás disso, alguém que realmente gosta da história e que não está ali apenas pelo lucro.