Em seu terceiro álbum de estúdio Olivia Rodrigo prova que nem só de de adolescência raivosa vive a juventude dos anos 2000.

 

Capa do novo álbum de Olivia Rodrigo


Entrando na modinha de ser indie, tal qual grande parte dos jovens da geração Z.


Por Gabriel Nunes


Existe um salto inegável entre seu último álbum, “Guts”, e “you seem pretty sad for a girl so in love”. Se antes tínhamos uma Olivia presa nas frustrações da adolescência, inseguranças e medo de crescer, agora encontramos uma artista explorando as contradições de um romance adulto, trazendo sentimentos de encantamento, dependência, medo e a inevitável sensação de perder algo que parecia perfeito.


O álbum funciona como uma história dividida em duas partes. Primeiro, o lado brilhante e quase exageradamente apaixonado de uma relação, onde entra aquela fase em que tudo parece mágico.


Mas essa felicidade vem acompanhada de um aviso dizendo “algo vai dar errado”. A segunda traz a queda dessa idealização, explorando inseguranças, arrependimentos e o que sobra de bagunça depois.


As letras continuam carregando o mesmo humor ácido que virou uma das marcas dela. Olivia tem uma habilidade interessante de transformar momentos dolorosos em algo quase engraçado, como se ela estivesse rindo da própria desgraça antes que outra pessoa tenha a chance de rir primeiro.


Musicalmente, esse álbum também representa uma mudança importante. A estética pop punk que dominava “Sour” e “Guts” dá espaço para influências mais próximas do new wave, pós-punk e do pop alternativo dos anos 80, mostrando uma Olivia menos preocupada em repetir a fórmula que fez ela explodir e mais interessada em construir uma identidade própria.


A evolução vocal também é um dos pontos mais fortes dessa era. Não apenas porque sua voz soa mais madura nas gravações de estúdio, mas porque ela parece mais consciente de quando exagerar e quando segurar. Os momentos mais intensos funcionam justamente porque existe uma construção antes deles, fazendo os grandes vocais parecerem menos um recurso de impacto e mais uma consequência emocional da música.


A produção de Dan Nigro continua sendo um dos pontos fortes por trás da identidade da Olivia. O trabalho dos dois sempre teve essas características de conseguir misturar referências antigas com uma linguagem extremamente atual.


Em vez de parecer uma tentativa forçada de “ser alternativa”, o álbum usa essas influências para expandir o universo dela, trazendo até mesmo seu primeiro feat da carreira com ninguém menos que Robert Smith. 


No fim, “you seem pretty sad for a girl so in love” é menos sobre uma Olivia deixando de ser aquela garota irritada de “Guts” e mais sobre ela entendendo que crescer também significa descobrir que o amor pode ser tão confuso quanto a adolescência. E talvez esse seja o maior amadurecimento dela.


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