Dia D apresenta o seu principal problema já no título, mas o resultado consegue ser agradável. Pelo menos para mim.

 

Emily Blunt em 'Disclousere Day' 


Talvez assim como a maioria das pessoas, eu entrei na sala de cinema com uma expectativa e o que recebi foi algo completamente diferente.


Por Juliano Santos


Já adianto que, pelo menos para mim, o resultado disso foi agradável, claro, com algumas ressalvas, mas 'Dia D', como foi intitulado aqui no Brasil, apresenta um mistério simples, pouco revelador, e uma aventura gostosa.


​Desde pequeno sou fascinado por histórias envolvendo aliens e espaço. Spielberg já havia me conquistado quando fez 'E.T.: O Extraterrestre' lá atrás, e desde então um novo filme dele sempre consegue chamar a minha atenção. Com este aqui não foi diferente.


​Quando saíram as notícias sobre Dia D, logo de cara tentei não procurar e nem ler nada a respeito. Sabia da existência do longa, mas não do que se tratava. Confesso que entrei na sala de cinema esperando mais uma produção de invasão e recebi uma obra sobre personagens que vão de um ponto ao outro da trama.


​Em Dia D, acompanhamos a jornada de Margaret Fairchild (Emily Blunt), uma jornalista do tempo, e Daniel Kellner (David O'Connor), um especialista em segurança cibernética que se veem no meio de uma conspiração global. Eles tentam expor os arquivos de uma organização secreta que mantém em sigilo imagens e encontros alienígenas há mais de 70 anos.


​O filme se mantém em um bom mistério sobre o que está acontecendo e não entrega tudo logo de início. Com uma crise geopolítica que se desencadeia numa possível terceira guerra mundial como um pano de fundo que eu acho que poderia ser melhor trabalhado, os protagonistas correm contra o tempo para que o mundo saiba da existência desses seres.


​Talvez o primeiro erro dessa produção esteja na sua tradução. O título original é 'Disclosure Day', que pode ser traduzido como o 'Dia da Revelação'. Como recebeu o nome de 'Dia D' aqui no Brasil, quem bate o olho na chamada já imagina logo de cara um enredo sobre invasão ou o dia final, e é aí que pode acontecer o afastamento de algumas pessoas.


​Ele funciona muito bem: as cenas de ação são ótimas e muito bem filmadas, de modo que você fica nervoso e se agarrando na cadeira enquanto assiste; a comédia funciona e o suspense mais ainda. O elenco é muito bom e se entrega muito, com um grande destaque para a atriz que interpreta a âncora do jornal nas cenas finais. Em seu pouco tempo de tela, ela consegue mostrar toda a sua potência e passar a sensação de medo diante de tudo aquilo que estamos vendo.


​Mas nem tudo são flores, e aqui eu terei que dar um pequeno spoiler. O Spielberg em vários momentos testa a nossa inteligência e acha que devemos aceitar qualquer coisa, como uma sequência de fuga onde o personagem corre em um campo aberto escondido atrás de uma cerca. Nenhum segurança de uma organização ultra secreta, completamente preparada e que esconde aliens há anos, consegue ver o sujeito passeando por ali. Spielberg, às vezes não tem como te defender.


​Me irrita como ele tinha milhões de maneiras de fazer o design dos extraterrestres e escolheu o mais genérico e batido de todos. Isso me desagrada, assim como muitas conveniências para que os personagens consigam manipular os vilões e escaparem de situações sem terem muito trabalho.

​No geral é um filme muito interessante. Não é uma grande obra para todos, mas conseguiu me divertir. É um bom filme para assistir na sessão da tarde daqui a alguns anos; com certeza eu assistirei feliz e entendo as principais críticas a ele.

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