Kiss All The Time. Disco, Occasionally - Harry Styles (2026)

     


Harry é muito bom em fazer aquilo que já domina, mas pouco disposto a sair da própria zona de conforto.

Por Gabriel Nunes


Lançado como uma promessa do Disco, quarto álbum de Harry Styles acaba entregando algo bem diferente do que foi prometido e, em alguns momentos, até meio vazio. Ainda assim, é um álbum divertido. Diria que ele funciona mais como trilha sonora para ouvir no transporte público a caminho do trabalho do que propriamente para tocar em uma pista de discoteca.

Quando Harry lançou Aperture, em janeiro deste ano, as expectativas estavam caminhando muito bem. O single é elétrico, poderoso e cheio de presença, lembrando até Supercut, da Lorde, em alguns momentos. Parecia que estávamos prestes a receber um disco mais pulsante, talvez até mais ousado dentro da carreira dele. O tombo veio quando o álbum foi lançado de fato, não porque seja ruim, mas porque simplesmente não era aquilo que estávamos esperando.


A impressão que fica é que a promessa apontava para algo mais na linha de um disco pop dançante, talvez até algo que lembrasse a era clássica da Madonna, mas o que recebemos foi um trabalho muito mais psicodélico e contemplativo, que às vezes flerta até com uma estética meio Daft Punk. Não é exatamente um problema, pelo contrário, existem momentos interessantes nessa abordagem, mas cria aquela sensação estranha de desencontro entre expectativa e entrega.


Outra questão que pesa é que, junto com o lançamento do álbum, vinha também a expectativa de que o vencedor do Grammy de Álbum do Ano em 2023 voltasse com algo realmente grandioso depois de alguns anos de pausa. No fim das contas, o disco acaba provando mais uma vez que Harry é muito bom em fazer aquilo que já domina, mas pouco disposto a sair da própria zona de conforto.


E talvez esse seja um dos grandes dilemas de muitos homens dentro do pop atual: artistas extremamente talentosos, com carreiras promissoras e trabalhos incríveis no currículo, mas que acabam envelhecendo dentro da segurança da própria fórmula.


Isso não quer dizer que o álbum não tenha qualidades. A produção é bem feita, a estética visual continua sendo um dos pontos fortes da era e existem faixas realmente cativantes ao longo do disco como "Ready, Steady, Go! e "Are You Listening Yet?". Só que, no conjunto da obra, tudo parece um pouco seguro demais para alguém que já provou várias vezes que poderia ir muito além.


No fim, o álbum é agradável, tem seus momentos e certamente vai encontrar seu público. Mas, mesmo com uma boa produção e algumas músicas que grudam na cabeça, não foi o suficiente para impedir que o ex-One Direction desse uma leve escorregada na famosa maldição do quarto álbum.




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