Vi Essa Semana

 




Toda quinta-feira, uma série de críticas curtas sobre filmes que vi ou revi durante a semana.


Por Juliano Santos 



ELA (2013)


Gosto muito de como o Spike Jonze pega umas ideias malucas e as transforma em bons filmes. O maluco se apaixonou por uma IA, e o pior é que isso acontece hoje, em 2026. Acho belíssima a fotografia desse filme; algumas coisas nele me incomodam, acho meio desconfortável boa parte dele, e eu acho que isso é proposital, acho que é uma marca do Jonze. O filme fala mais sobre solidão do que sobre relacionamentos em si, e a maneira como ele escolhe falar disso é interessante. Ficamos presos em algo ilusório e esquecemos das coisas reais ao nosso redor. É um filme muito bonito e completamente atual; curioso pensar que ele é de 2013 e, ainda assim, dá para ser aplicado em 2026 com os avanços da inteligência artificial.

NOTA: 8/10

VALOR SENTIMENTAL (2025)


Acho que esse é um dos poucos filmes onde eu não toco muito em questões técnicas, que, embora eu as tenha elogiado enquanto assistia, neste aqui ele toca em um lugar diferente. O sentimento que eu tive assistindo a esse filme foi de angústia — não que o filme seja ruim, mas angústia por não conseguir sentir exatamente o que eu deveria sentir; ele pega em algumas questões como a solidão e a tristeza, isso eu senti. Valor Sentimental é aquele filme do Oscar que não pega todo mundo; é aquele que as pessoas olham e dizem que é o filme chato do Oscar, depende muito de quem assiste. A construção do roteiro é muito interessante: ele já apresenta os problemas das personagens e, ao decorrer da história, vai trabalhando isso, mostrando como elas lidam com a situação. Confissão: o filme não me fisgou completamente de início, foi um filme onde tive que fazer duas pausas e terminar no dia seguinte, mas depois, da metade para o final, ele começa a te segurar, e é lindo.

NOTA: 7/10

UMA BATALHA APÓS A OUTRA (2025)



Quando nos deparamos com uma obra assim, com um grande diretor e grande elenco, esperamos algo grandioso; talvez eu tenha entrado com a expectativa alta, levando em consideração também as indicações que esse filme levou ao Oscar. Por mais que eu estivesse esperando outra coisa, eu ainda consegui me surpreender com o resultado que, às vezes, decai um pouco, mas consegue se sustentar na proposta que ele quis trazer. PTA traz boas críticas em relação aos acontecimentos dos EUA, mas isso não anula o fato de que, em alguns momentos, o filme se torna vago e vira apenas uma vitrine de boa cinematografia e atuações. É um pouco difícil se apegar aos personagens pela falta de construção de alguns. Gosto muito das cenas de perseguição desse filme, que são o ponto alto para mim; aqui, sim, o PTA brilha muito, a trilha sonora ajuda, sempre presente nos momentos certos (claro, em alguns momentos a trilha entra de uma maneira que eu não entendo bem e que me faz achar uma péssima escolha). Ainda acho que o filme poderia ser menor; em alguns momentos não me parece que ele sabe o que contar e enche um tempo com cenas vazias que não levam a lugar nenhum, como a perseguição na estrada no final do filme, que, embora eu tenha gostado, me pareceu que não sabiam o que fazer direito. É um bom filme, com boas críticas, bons momentos, mas já adianto: aceite que em vários momentos ele é uma farofa, e isso não é um defeito, é um grande acerto. Talvez se ele tivesse se levado tão a sério, não seria bom do jeito que é.

NOTA: 6/10

PECADORES (2025)



Apesar de ter amado esse filme e querer revê-lo novamente, Pecadores comicamente peca em não saber direito quando e onde parar; a construção é legal, mas se torna bagunçada com o passar do tempo. Uma porrada de personagens que são interessantes, mas que não têm um aprofundamento que faça ter um peso real na história; tudo aqui só enche tempo, vilões mal explicados e mal explorados em alguns momentos — tudo bem, eu acho, é novo para nós também. Mas, às vezes, queremos saber com mais clareza o que acontece, de onde e por que eles vêm. Personagens que são emburrecidos com o passar do filme e que, no fim, não têm o devido castigo. Esse filme tem músicas muito boas e muito bem usadas; elas não estão ali para preencher um espaço vazio, estão ali para conduzir a história, para que a narrativa seja continuada, e isso é muito bom, é muito bem feito; poucos filmes conseguem fazer isso, e Pecadores fez. Com uma fotografia bonita, design de produção belíssimo, um roteiro bom (apesar das falhas dos personagens), atuações que brilham — mas brilham muito — e uma direção extraordinária, onde a câmera nos leva num passeio belíssimo num plano-sequência de encher os olhos por meio daquela festa onde a liberdade, pelo menos por um tempo, existiu. Pecadores tem potencial de se tornar um clássico futuramente, mas, claro, não apagando os seus defeitos.

NOTA: 9/10

APOCALYPTO (2006)



Filmaço, apenas. Não consigo assistir a algo tão grandioso assim e dizer que é apenas um filmaço. Acho tudo aqui bem construído; claro, é um filme mais de perseguição, onde o personagem protagonista sai de um ponto a outro fugindo. Mas é tão gostoso de assistir. Uma salva de palmas para o bom uso de efeitos práticos aqui, que, aproveitando a deixa, é algo que faz falta na maioria dos filmes atuais. A fotografia desse filme é primorosa, que coisa linda de se ver. Os meus olhos brilhavam a cada cena, pois é muito lindo. Fotografia maravilhosa, um design de produção belíssimo e atuações fenomenais. Cara, o Mel Gibson estava inspirado quando fez este, e ele acerta em cheio em cada coisinha. E o final se torna a cereja do bolo; não direi o que acontece, caso não tenha assistido, mas garanto que você vai se surpreender.

NOTA: 9/10

Eaí? o que você viu essa semana? Me conta aí nos comentários, beijo e até semana que vem!


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