Será que é uma boa decisão mexer em algo que já estava funcionando?
Por Juliano Santos
Quando Pânico 7 foi anunciado, não nego que fiquei empolgado, pois os dois filmes anteriores abriram margem para a expectativa de uma história mais densa. Esperava-se um foco total nas tramas apresentadas no revival da franquia em 2022.
Entretanto, o primeiro banho de água fria veio em 2023 com o afastamento de Sam Carpenter, interpretada por Melissa Barrera, e a consequente saída de Jenna Ortega. Ambas eram as protagonistas dessa nova fase.
Diante desse cenário, temos o retorno de Neve Campbell como a icônica Sidney Prescott. O filme iniciou suas gravações em 2025 com Kevin Williamson assumindo a direção no lugar de Christopher Landon, que também deixou a produção. Com a saída do diretor e das protagonistas, todo o roteiro que seria focado em Sam acabou descartado.
Como resultado dessa reformulação, uma nova história foi criada. Por que estou trazendo tudo isso? Porque são nítidos os problemas que o filme apresenta, principalmente em seu roteiro, tanto na estrutura e diálogos quanto na criação e desenvolvimento de personagens.
Pânico 7 se passa alguns anos após os acontecimentos do sexto filme em Nova York. Sidney (Neve Campbell) segue sua vida com a filha Tatum (Isabel May) e o marido (Joel McHale), que também é delegado da cidade. Tudo está aparentemente normal até que Sidney recebe uma ligação que traz de volta o Ghostface, que agora não busca apenas ela, mas sua família inteira.
Ou seja: mais uma vez o passado confronta Sidney. Diferente dos demais, este capítulo tem um início sem graça. A franquia costuma surpreender em suas sequências de abertura, mas esta, além de longa, não apresenta algo que realmente assuste.
O filme tem cenas boas e mortes criativas, como a do teatro, que considero uma das melhores. Mas ele só tem isso a oferecer. Os personagens estão ali apenas para serem descartados pelo Ghostface; não há um desenvolvimento sólido para que suas mortes sejam sentidas pelo espectador — ou até pelos outros personagens, que veem alguém morrer e seguem a vida normalmente.
Temos a volta de Courteney Cox como Gale Weathers, além de Mindy (Jasmin Savoy Brown) e Chad (Mason Gooding). Sendo sincero, não entendi o que faziam ali. O filme poderia seguir sem Gale que nada mudaria na narrativa; ninguém sentiria falta. Os personagens parecem jogados apenas para conectar os eventos anteriores, evidenciando a falta de uma história real para eles.
Aqui, tenta-se trabalhar uma passagem de bastão de Sidney para sua filha. Porém, não me senti convencido de que Tatum possa ser uma protagonista interessante; neste filme, senti mais raiva do que apreço por ela.
A obra tem poucas cenas memoráveis, para mim, apenas três: a morte no teatro, a do bar com o empalamento e a cena da parede. Fora isso, pouco se aproveita. Às vezes, o longa consegue trabalhar bem a figura do Ghostface ao mostrá-lo entre as sombras, criando um bom suspense.
O que já estava ruim piora no terceiro ato. A revelação dos assassinos só me fez suspirar — e não de surpresa — mas de tédio e raiva. No sexto filme tive essa mesma reação, mas aqui foi pior.
Pânico 7 só se sustenta pelo fanservice e pela memória da franquia, que é considerada uma das melhores do gênero (claro, com alguns filmes medianos no caminho). Não há muito o que elogiar além das três cenas minimamente interessantes que mencionei.
NOTA: 4/10
