As vezes um feijão com arroz bem feito consegue nos animar, e Devoradores de Estrela é esse feijão com arroz.
Por Juliano Santos
Olha, não é cedo demais dizer, e talvez afirmar, que Devoradores de Estrela já seja o filme do ano. E arrisco a dizer que seja um dos meus preferidos até agora. Quando vi o trailer do filme no início do ano, já fiquei empolgado; filmes do gênero conseguem chamar e prender a minha atenção de uma forma bem hipnotizante, e Devoradores de Estrelas sendo desse gênero — e com atuação mais que incrível do Ryan Gosling — me atrai e me prende com gosto.
Aqui, Ryan Gosling interpreta o professor de ciências do ensino fundamental chamado Ryland Grace. Um dia, ele acorda em uma espaçonave a anos-luz da Terra, sem memória alguma de quem ele é ou de como foi parar ali. Aos poucos, vamos descobrindo quem ele é através de flashbacks, e descobrimos também que ele está no espaço para tentar descobrir o que está acontecendo com o Sol, que está sendo devorado por algumas criaturas.
O uso de flashbacks aqui é muito bem-feito e com transições muito legais das cenas dele na nave para as cenas dele na Terra. A direção desse filme agrada e muito; eles sabem o que estão fazendo e usam transições inteligentes e até inovadoras em algumas cenas. Eles conseguem usar o vazio ao seu favor e passar aquela sensação de solidão para quem está assistindo.
Um dia, Grace é surpreendido por uma nave que tenta contato com ele. Nessa nave está Rocky, e aqui entra um dos momentos e grandes acertos desse filme: a relação desses dois personagens de mundos completamente diferentes. Rocky se comunica por uns sons e vibrações que rendem boas piadas que me fizeram rir — não só eu, como toda a sala da sessão que eu estava.
Descobrimos que o sol do Rocky também está morrendo e que, assim como o Grace, ele é um viajante solitário na vasta imensidão do espaço. Já adianto que, em alguns momentos, você vai se emocionar muito nesse filme, tanto pela amizade quanto pelo roteiro, que consegue trabalhar bem tudo isso; você se apega aos personagens e se sente parte daquela amizade improvável.
Focando um pouco nas questões técnicas do filme, eu acho a fotografia dele bonita, embora não ache que fuja muito dos padrões de fotografia desses gêneros de filme; com uso de bastante cor e muito saturadas, é bonito, agrada, mas não é tão inovador. Amo a trilha sonora, mesmo que ache que também use os mesmos estilos de música que filmes de espaço costumam usar, um pop rock. Talvez quiseram apostar no seguro nessas questões.
A direção é maravilhosa, como já pontuei aqui; momentos tensos conseguem ser tensos, momentos tristes conseguem ser tristes e momentos engraçados conseguem ser engraçados. E o uso de flashbacks é um acerto desse filme; vamos descobrindo, junto com o protagonista, o que aconteceu e como viemos parar ali.
Talvez meu único problema com o filme seja o desenvolvimento dele com as pesquisas e com a pesquisadora que trabalha na agência espacial. Acho um entrosamento legal de personagens, mas tudo acontece muito rápido. Talvez seja algum lapso de memória do Grace, mas eu acho que tudo acontece muito rápido; entendo que por ser um filme o tempo é curto, mesmo que o filme tenha quase 3h de duração.
Acho esse filme perfeito. Os meus problemas que tive, e que mencionei no parágrafo acima, não me tiraram do filme em nenhum momento, apenas me fez questionar. Mas, apesar disso, ele continua sendo um ótimo filme: é lindo, com uma direção boa, atores bons e divertidíssimo.
