O Morro dos Ventos Uivantes, embora satisfatório, não fica isento dos problemas inerentes a qualquer adaptação.
Por Juliano Santos
A princípio, gostaria de pontuar que entrei na sala de cinema sem saber absolutamente nada sobre o livro, a história ou a autora. Fui induzido apenas pela presença de Margot Robbie e Jacob Elordi, além da assinatura da diretora Emerald Fennell que, embora eu não tenha assistido ao seu anterior Saltburn, despertou meu interesse a partir deste trabalho em O Morro dos Ventos Uivantes, do qual lhes falo agora.
O filme possui um início que quebra a expectativa de forma muito humorada; aqui, já compreendemos o tom da narrativa e a forma como ela se desenrola é prazerosa. Contudo, tenho ressalvas quanto à atriz que interpreta a Catherine criança, por considerar sua atuação fraca. Paralelamente, sinto que esse trecho inicial é longo demais para o pouco conteúdo que apresenta, especialmente após uma abertura que gera tanto impacto e expectativa.
Passados os minutos iniciais e entrando de vez na trama, o filme torna-se genuinamente interessante. Margot Robbie brilha intensamente; Jacob Elordi não fica atrás, embora pareça estar repetindo o mesmo arquétipo de personagem há quase dois anos. Isso não significa que ele esteja mal, ele entrega exatamente o que lhe é pedido, mas sua performance estagna no que já conhecemos. Já Margot brilha como de costume, ainda que este papel também não fuja muito das personagens às quais ela já nos habituou.
Há grandes chances e uma aposta pessoal para possíveis indicações em Fotografia e Figurino, elementos que saltam aos olhos. A fotografia é deslumbrante, apresentando cenas visualmente impecáveis, somadas a um design de produção primoroso e uma trilha sonora que pontua bem seus momentos. Emerald Fennell prova ser uma diretora competente, capaz de contar boas histórias com um estilo que transita entre o discreto e o frenético.
Por vezes, o aprofundamento de personagens flui melhor na literatura, tornando-se complexo na transição para a tela. Ao final, saímos com mais dúvidas do que respostas (SPOILER): quem era a mulher enforcada? Seria a ex-empregada? O que Nandy sentia, afinal, por Catherine ou pelo personagem de Jacob?
A subtrama envolvendo Heathcliff (Elordi) e Isabella (Alisson Oliver) soa forçada e, em certos pontos, fora de tom. É difícil criar conexão com os personagens, pois todos se mostram detestáveis. Embora isso possa ser uma característica intrínseca da obra original ( o que anularia o problema), para o espectador que busca alguém por quem torcer, a experiência torna-se árida.
Fato é que, mesmo com falhas pontuais, lacunas no roteiro e um início arrastado, O Morro dos Ventos Uivantes consegue ser um bom filme. Ele prende a atenção do início ao fim de maneira maravilhosa, sustentado por uma fotografia perfeita, um elenco seguro e uma direção que, na maior parte do tempo, sabe exatamente para onde guiar sua história.
Nota: 7/10
