Acho inteligente a decisão de adicionar faixas que, ao menos para mim, não foram as favoritas de imediato.
Desde o anúncio do projeto até o momento em que escrevo este texto, Brutal Paraíso, o novo álbum de Luísa Sonza, não tem alcançado uma grande repercussão. Durante as semanas que antecederam o lançamento, a equipe de marketing não realizou grandes divulgações, fazendo com que o alcance ficasse restrito à bolha de pessoas que já acompanham a artista. No entanto, adianto que isso não desqualifica o disco, o qual já ouvi e sobre o qual trago agora a minha análise.
A cantora apresenta um compilado extenso e bem completo, que passeia pela bossa nova, funk, rock, samba e outros gêneros que ela já domina com maestria e carimba aqui.
Nesse novo trabalho, Luísa traz participações de Xamã, Young Miko, MC Meno K, MC Morena, MC Paiva ZS e Sebastian Yatra, misturando ritmos de forma contagiante.
"Loira Gelada" segue sendo a minha favorita; possui uma sonoridade mais pesada, com uso constante de sintetizadores que, a princípio, incomoda, mas o resultado final é positivo.
É uma faixa com boa letra e um ritmo que nos faz ser levados pelo embalo da produção. Outra que não fica atrás é "Tropical Paradise", que inicia de forma tranquila com um toque de bossa e, no desfecho, realiza uma ótima transição para as batidas de funk.
Este trabalho traz recordações de Escândalo Íntimo em algumas passagens, e eu até poderia reclamar disso caso não tivesse gostado do resultado. Porém, esses pontos me fazem refletir que talvez devesse haver um pouco mais de originalidade na obra.
"Sempre Você" se tornou uma das canções mais bonitas que já ouvi da artista; ela demonstra saber usar muito bem as palavras, mesmo que às vezes pareça não saber a hora de parar — refiro-me aqui a "Fruto do Tempo". A oitava faixa é uma composição calma e bem escrita, com uma sonoridade serena que permite ao ouvinte sentir exatamente o que a letra transmite.
Da mesma forma, "O Som da Despedida" destaca-se como um dos momentos mais melancólicos do disco, onde vemos, pela primeira vez na tracklist, Luísa exibindo toda a sua potência vocal com um agudo bem superior ao de "Penhasco". Na sequência, "Depois do Fim" encerra o que a música anterior iniciou, entregando mais uma vez uma performance baita, tanto vocalmente quanto em sua composição.
As três primeiras músicas não me prenderam tanto; na verdade, todas as parcerias com outros artistas não me agradaram totalmente, com exceção, talvez, de "French Kiss" e "E Agora?". Ainda assim, com algumas ressalvas, os demais atos são canções que provavelmente pularei quando for escutar o álbum novamente, sendo bem sincero.
Este projeto da Luísa soa como se fossem três álbuns em um, sendo bem dividido para que cada ritmo ocupe seu espaço. As músicas finais encerram bem a audição com "Brutal Paraíso", faixa-título que, curiosamente, possui oito minutos de duração.
Esses minutos são muito bem aproveitados; se na faixa "Fruto do Tempo", lá no início, ela parecia se perder sem saber onde ou como acabar, aqui, no encerramento, ela demonstra saber exatamente para onde está indo e como finalizar.
Brutal Paraíso é um álbum que sabe o que está fazendo, mesmo parecendo perdido em alguns momentos. Não o considero o melhor da discografia de Luísa e continuo achando o Escândalo Íntimo um dos seus melhores trabalhos, se não o melhor que ela já produziu até hoje. E em um possível ranking, Brutal Paraíso estaria no top 3.
NOTA: 8/10